quinta-feira, 12 de junho de 2008

Pressão...

Um corte no braço
Maior um no peito...
Tamanha indiferença!

Que me ames,
Que me odeies
Que mo digas...

Pois mais que doer a verdade
Dói a ilusão...
Mais que doer a certeza
Dói o vazio da escuridão
De nada certo saber
A não ser que te gosto mais que gosto de ser...

domingo, 4 de maio de 2008

Amo-te

Como Camões invocou as ninfas
Te invoco agora, aqui, amor soberbo.
Que encarne em mim a voz de Valentim
Que diga o que sinto mais que certo.

Que não fuja de mim a valentia
Como fugiu a ele, em sua altura
De dizer cara a cara o que sentia
Mas no papel deixar crua ternura.

Que te diga que te amo, porque o sinto,
Que o medo desvaneça de meu ser.
Que caia morto e gélido se te minto,
No amor que é mais que apenas te querer.

Amo-te, agora e sempre!
Amo-te, com loucura e fervor.
E em meu peito derramado, digo agora,
Puseste súbito e em boa hora,
Este que me consome, o amor.

O amor que me leva a te amar,
Que a sentir me empurra o corpo frio…
Amo-te e não posso calar,
Pois de mim não parte este amar,
Mas de um peito nunca mais vazio.

Até ja...



Aquele quarto branco parecia tão gélido como as mãos de Carlos… E, de facto, estava! Olhando pela janela era visível o contraste entre o céu azul e a neve que cobria a área circundante. O chamado sol de Inverno…
Amanda cumpria o seu ritual diário. Dava os bons dias a todos quantos por ali passavam, sem nunca desviar o olhar do pálido rosto do seu noivo. Enquanto o olhava, relembrava tudo quanto já vivera com ele…
As lembranças eram muitas…algumas nem se lembrava lembrar… mas agora, que pressentia o final de tudo, tudo isso lhe fazia bem. Ou, pelo menos, assim pensava. Limitava-se a pensar que o dia em que conheceu Carlos havia sido mágico. Um dia como nunca havia tido. Lembrava-se de como embatera defronte com ele na rua, num dia chuvoso, de como ele a ajudou e levantar os seus esboços caídos no chão, e da forma descontraída como lhe disse que não tinha importância, mesmo sabendo que perdera uma noite inteira de trabalho. Percebera, ali, que ficariam juntos para sempre…
Lembrava também, e com maior nostalgia, a primeira noite que passaram juntos! A forma romântica como ele havia decorado a sala, com velas e incenso, rosas e frutos vermelhos, música ambiente e champanhe…tudo por ela…para ela…com ela! Fê-la sentir a mulher mais feliz do mundo. Em todos os momentos cuidava dela como se de uma boneca de porcelana se tratasse. Tinha medo que qualquer coisa a derrubasse, e partisse. Mas parecia que ele havia de partir-se mais prematuramente…
Não conseguia deixar de pensar em quão injusta a vida havia sido. Passara vinte e cinco anos da sua humilde existência e, quando finalmente algo lhe dera força para viver…
Como poderia Deus ser tão cruel? Como poderia permitir que Carlos ali permanecesse, deitado, sem que ela o pudesse ajudar? Era um misto de sensações que a invadia de cada vez que lhe falava…sem obter resposta. Frustrada, tentava insistentemente que ele abrisse os olhos, ou que simplesmente lhe desse um sinal de que a escutava. Em vez disso, ele parecia cada vez mais distante da vida…mas não do seu coração!
- Amanda, tem uma visita. – interrompeu o enfermeiro.
A mãe de Carlos apareceu como um vulto negro, desajeitado, num luto forte e desprovido de emoções, como se Carlos já tivesse partido. Muito mais do que Amanda poderia suportar.
- Como se atreve a aparecer aqui vestida de negro? Deseja assim tanto a morte de seu filho?
- Nada mais há a fazer…resta-me começar a rezar por sua alma…
Amanda jamais conseguiria compreender tal coisa. No fundo, sentia ainda uma réstia de esperança de o ver abrir os olhos, levantar-se, olhar para ela e dizer que a amava, como fazia todos os dias desde que decidiram viver juntos. Seria possível que tal acontecesse? Poderia um milagre como esse vir a suceder depois de tanta tristeza por que passara?
Não desviava o olhar de Carlos. Ignorava mesmo a presença daquela pobre senhora de preto, que se alinhava aos pés da cama, chorando baixinho, para não dar a entender a sua condição humana. Sempre fora uma mulher dura e implacável, e nem na hora de ver o seu único filho num coma profundo ela se queria dar por vencida. Preferia chorar para si mesma, em silêncio.
A certa altura, uma voz surge do nada, como uma sombra…
- Amanda…
Impossível, como poderia ser? “Não, não pode ser ele” pensava ela para si mesma. “Estarei a alucinar? Poderá este desejo de o ouvir tornar-me tão louca assim?”
- Amanda…
Era real demais…mas ao mesmo tempo parecia tão distante que nem ela mesma sabia se poderia confiar nos seus ouvidos…
Olhou para ele, fixamente, e viu por fim seus lábios mexerem…
- Amanda…
As lágrimas correram-lhe, o coração palpitava como nunca, as suas mãos cravejaram-se nas dele, os olhos penetraram os seus e nada conseguiu dizer…tudo o que queria era ouvir…ouvir da boca dele uma mensagem de paz e de conforto, dizendo-lhe que estava bem e que tudo acabaria em breve… Olhou para ele mais de perto e, ao perceber que se preparava para se lhe dirigir, aproximou-se mais dele…
- Até já….
E, nesse momento, Carlos partiu, com a certeza de que deixara no coração de cada uma delas, uma mensagem de sossego e carinho, mas que apenas Amanda seria capaz de a entender. Sim, porque apenas aquele que ama de verdade pode acreditar que aquilo que os une é mais forte do que o que os separa, e que nada tem um fim, a não ser que nós deixemos que o tenha…


domingo, 17 de fevereiro de 2008

Em parceria...

Era uma vez uma folha em branco...Nessa folha projectou-se algo...algo material e palpável, com a tinta da fé que corria do coração.
Surgiu o terreno, pela Igreja, inundando de esperança o projecto conseguido. Materiais não faltaram...os alicerces foram mais do que suficientes para dar origem à verdadeira construção. Alicerçada em amor e cimentada em paz, cobriu-se de tijolos de harmonia e tinta de compaixão. De porta virada para o mundo e janelas tornadas para o céu, a luz de Deus caiou-a de branco-paz e permitiu que outros a vissem...
Vendo a força desta casa, a imponência dos seus alicerces, outros se atreveram a ter esperança e a fazer os seus projectos...construíram o amanhã no dia de hoje! Construamo-lo nós também, com os alicerces desta casa, que é a fé de todos nós!


Pedro Mota e Ana Sofia
(JSF GODIM)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Medo Contradito

Tenho medo...
De ouvir o silêncio..
de ver a escuridão...
de sentir que nada sinto!
Tenho medo...de amar!
Pois só quem ama ouve o silêncio, porque ama.
Só quem ama vê a escuridão... porque ama.
Só aquele que ama sente que nada sente, pois nada mais pode sentir.
Fará este medo sentido?
Ou devo-me envergonhar?
Afinal, o contrário do que digo Devia ser mais percebido
de medo em mim deixar!
Devia temer ouvir o mundo
E ver as cores que ele tem...
Temer sentir que tudo sinto,
A vida, o mal e o bem.
Pois saberia aí que sentia
O mal de não amar ninguem...

Deambulando...


Deambulo pela minha mente procurando por ti...
Onde estás??
Porque não respondes ao meu chamamento???
Torna-se patética esta minha procura!
No fundo, sei que nunca encontrarei..
Então, paro!
Ganho consciência
Que fazer?
Fugir?
Morrer?
Lutar?
Vencer?
Será possível lutar e não perder?
Se procuro e não te posso ver...prefiro deixar-me sonhar...deambulando...

Who am I???


Primeiramente, uma apresentação. Sou um jovem de 17 anos k gosta de escrever desde que se conhece. Axei k já estava na altura de começar a divulgar o resultado da minha escrita (não que seja algo de excepcional, mas enfim..)...espero que gostem...